Segurança da Informação

Identificação biométrica, a busca pela segurança

Imagine as cenas, um(a) jovem que você não conhece de repente lhe para na rua, lhe dá um beijo e se passa por seu/sua namorado(a), ou um estranho cobrando um valor  que você deve a um amigo. Claro que você reconhecerá que são falsários e tomará as medidas cabíveis (quanto ao primeiro exemplo eu não ouso afirmar a atitude de todos). Esse sistema de defesa é possível porque temos armazenado em nossas mentes os traços e características de cada indivíduo que conhecemos, e podemos fazer o reconhecimento em um encontro posterior. Mas a tecnologia chegou, e com ela a possibilidade de potencializar esse recurso que conhecemos como biometria. Neste artigo discutiremos um pouco sobre o que é, como funciona, e qual o melhor sistema biométrico do mercado.

O que é a biometria?

Biometria, palavra resultante da união de bio (vida) + metria (medida), é um estudo estatístico das características físicas ou de comportamento dos seres vivos, e que atualmente é usado para vários fins como controlar o acesso de pessoal, transformando o corpo em uma senha, e até identificar um criminoso.

Não existe um consenso quanto a origem de técnicas biométricas, mas se sabe que eram utilizadas no Egito pelos faraós, que identificavam pessoas pela cor dos olhos, cor dos cabelos, cicatrizes, arcada dentária e outros. Há registros do uso de impressões digitais como marcas pessoais em transações comerciais na Babilônia (em 500 a.C.), padrão também adotado por comerciantes chineses no século VIII (d.C.). Mas os sistemas biométricos como conhecemos atualmente, surgiram na segunda metade do século XX, acompanhando o avanço dos sistemas de computadores, e a partir dos anos 2000 os sistemas biométricos passaram a se tornar parte do nosso cotidiano.

No Brasil, os relatos mais importantes do uso da biometria para identificação de indivíduos estão registrados com as datas de; 1979, com a implantação do Sistema AFIS nos institutos de identificação da Bahia e de São Paulo; 2004, com a Polícia Federal implantando o seu AFIS, que foi interligado ao sistema de Informações Criminais (Sinic) dando origem ao Sistema de Identificação Nacional (SIN); em 2007 o Governo Brasileiro iniciou o processo de emissão de passaporte biométrico, e em 2008 começaram a ser utilizadas as urnas eletrônicas biométricas, gradativamente em algumas cidades do nosso país.

A tecnologia atual permite realizar esse tipo de identificação de cada indivíduo por meio de duas classes principais de características; as comportamentais – que abrangem a voz, assinatura, digitação; e as fisiológicas – que estão relacionadas com a forma do corpo, como veias, impressão digital, mão, face, íris, retina. E se prevê que em breve os odores e salinidade do corpo humano também sirvam a esse propósito, juntamente com a análise de DNA, que atualmente ainda não é um processo automatizado e requer algumas horas para se criar a identificação.

Como funciona o reconhecimento biométrico?

Fundamentalmente, são requeridos três processos para se estabelecer o pleno funcionamento de um sistema de reconhecimento por biometria; Captura, Extração e Comparação.

  1. Captura: é a primeira etapa a ser cumprida e consiste em adquirir uma amostra biométrica do indivíduo, seja a imagem da digital, da íris do olho ou de qualquer outra opção citada mais acima.

  2. Extração e criação de um padrão: quando são identificadas informações únicas do indivíduo, como as variações no timbre de voz, os padrões da íris (área colorida que circunda a pupila), comprimento, largura espessura e superfície da mão, etc. Em seguida essas informações são convertidas para um padrão e armazenadas.

  3. Comparação: a última parte consiste de comparar os dados adquiridos no processo de captura, e que foram previamente armazenados em um banco de dados, com os que estiverem sendo apresentados posteriormente no sistema de identificação por biometria.

Agora retornamos ao título deste artigo (“a busca pela segurança”), seriam os sistemas biométricos infalíveis? A resposta é não, mas a depender do tipo de sistema escolhido, aliado a outros fatores como a potência e velocidade do sistema tecnológico que distinguirá as pessoas, é possível minimizar enormemente a taxa de falsos-positivos (quando uma pessoa consegue se passar por outra) ou falsos-negativos (a pessoa real não é reconhecida pelo sistema).

Qual o melhor sistema biométrico?

É difícil definir qual sistema é o melhor sem avaliar seus prós e contras. O reconhecimento facial é não intrusivo, deixa as mãos livres, mas é preciso um sistema muito poderoso e de alto custo para evitar que uma simples fotografia libere acesso a uma pessoa não autorizada. O reconhecimento da íris e da retina são muito confiáveis, mas a precisão da medição pode ser afetada por uma doença como a catarata.

Poderíamos citar os aspectos de cada um dos métodos, mas vamos fechar com o mais difundido, as impressões digitais. Cada indivíduo possui, em cada dedo, padrões de cristas e vales de fricção únicos, e estes os acompanham por toda a vida, independentemente de quanto venha a crescer ou quão velho e enrugado fique com o passar dos anos. Os pontos-chave continuarão valendo a cada segunda-feira que você tão somente colocar a ponta do dedo indicador ou dedão na máquina de ponto para ter sua chegada reconhecida e registrada na empresa.

Aliada as características supracitadas, o sistema de reconhecimento de digitais tem um fator mais que positivo ao seu lado, o baixo custo da tecnologia que atualmente é encontrada em notebooks, consultórios para liberação de consulta e exames, máquinas de ponto e, muito em breve, acompanhando a urna eletrônica na qual você elegerá os próximos governantes do país.

Portanto, é bom ter em mente que o seu corpo, único no mundo, graças as incontáveis características distintivas que possui, se converterá na senha definitiva para acesso aos mais diversos serviços, desde transações bancárias a uma simples chamada telefônica. Quando? Só depende de quão rápido a tecnologia evoluirá.

fonte: Guia do PC